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sábado, 20 de julho de 2013

Capitulo 19 - Never Stop Dreaming*

♥Live fast.Die Young.Be wild and have fun.♥ | via Tumblr

-          Sarah? Sou eu! – Disse Mary.
-          E? Estava à espera que depois disto eu a olhasse nos olhos e lhe dissesse que estava perdoada? Enganou-se! Eu não consigo perdoá-la! Então, por favor saia!
-          Sarah… - Gemeu.
-          Saia! Já!
Ela saiu olhando para mim, mas doía olhar para ela, o que me fez virar-lhe costas e esperar que ela saísse e batesse a porta.
            Pouco depois de o episódio ter acabado, tocaram à campainha. Deitei- a no sofá e abri a porta confiante de que era Jamie com David, mas qual não foi o meu espanto quando vejo Claire, Christin e Jason e os filhos.
            - Qual é o espanto? Achas que ias passar outro Natal sozinha? – Perguntou Jason.
            - Sozinha não passava! – Retorqui fazendo um gesto para entrarem.
            - Apenas com os teus filhos! Poupa-nos! – Christin fez cara de enjoada.
            - Desculpa, mas eu sabia que o Michael não vinha!
            Claire sabia? Mas como?
            - Como?
            - O David disse-me.
            - Oh, claro!
            David ouvia as minhas discussões com Michael? Não fazia a mínima ideia! Será que também me ouvia a chorar? Que sentia as queixas que o meu corpo fazia por já não aguentar tudo aquilo?
            Senti-me ir abaixo. Por mais que quisesse proteger os meus filhos parecia que os meus esforços não serviam de nada…

            - Sarah? Está tudo bem?
            Christin estava com um ar preocupado, olhando para mim. Encostei a porta e dirigi-me até junto de Maddy. Abracei-a como se aquele fosse o nosso último abraço.
            - Mamã! – Proclamou na sua voz cristalina.
            - Estás bem, princesa?
            - Mais ou menos. Dói-me um pouquinho o peito.
            - O que sentes? – Perguntou Jason, aproximando-se.
            Jason era agora dermatologista e tinha sido ele a aconselhar-me o médico que tratava Maddy. Dissera que era um profissional competente e não se enganara. Apesar de Maddy estar fraca, mostrava notórias melhoras.
            - É como se estivesse algo a apertar-me e custa-me a respirar.
            - Christin passa-me a minha maleta.
            Christin passou-lhe uma pequena mala que estava pousada em cima de uma das malas. Os filhos de Christin e Jason, Mara, Ian, Alice e Jared, estavam petrificados a olhar para a cena.
            Eu sentia calafrios percorrer-me a espinha e muitas vezes sentia aquilo que Maddy descrevera.
            Jason levantou Maddy e andou um pouco com ela.
            - Melhor? – Questionou-a.
            - Sim, um pouco. – Respondeu a medo.
            - Hum… Sarah, tens um casaco para ela?    
            Demorei alguns segundos a responder.
            - Ah? Sim! Aqui está! – Disse, pegando no casaco de pelos que se encontrava pendurado ao lado da porta.
            - Ora muito bem. – Jason dizia enquanto lhe vestia o casaco. – Abre uma janela. – Ordenou a Claire.
            Esta abriu-a e a lufada de ar fresco que entrou pela casa fez-me arrepiar. O ar era gélido e cheirava a chuva.
            Tlim, tlim
            Oh! Boa! Devia ser Jamie com David! O que iriam pensar?
            Fui abrir, um pouco reticente!
            - Jamie? – Exclamaram todos. Corei! Jamie sorria e acenava-lhes como se aquilo fosse normalíssimo.
            - Olá! – Disse David. Baixei-me para lhe dar um beijo.
            - Então, como foi? – Perguntei-lhe.
            Ele agarrou a minha cara e sussurrou-me ao ouvido:
            - Casa com o Jamie! É mais fixe que o pai.
            Engoli em seco e deixei-me cair no chão, pálida! Deixei de sentir. O sangue não circulava nas minhas veias.
            - Mãe! Não é caso para tanto. – Disse.
            - Sarah? Estás bem? – Jamie estava verdadeiramente preocupado, mas eu não conseguia formular uma palavra, quanto mais uma frase! Eu tinha sido feliz durante os 7 primeiros anos de casamento, mas desde há uns tempos que nem eu nem Michael fazíamos nada por salvar o casamento… Ele estava completamente arruinado, disso não restavam dúvidas. Mas nunca pensei que os meus filhos também o sentissem…
            Em criança passava a maior parte do tempo agarrada à música com o meu pai e a minha mãe nem lá estava… Talvez por isso, não tenha sentido a morte do casamento dos meus progenitores…
            Pensando bem, eu até podia ser a causa de tal feito! Eles passavam tão pouco tempo juntos! Eu e o meu pai sempre juntos, ou ele em viagem e a minha mamã sempre a trabalhar!
            Quando o sonhador estava em casa fazia os possíveis e os impossíveis por passarmos a maior parte do tempo os três juntos, mas para a minha mãe isso era indiferente! Ele podia estar ou não estar que para ela era sempre como se não estivesse…
            Concluindo, podia ter sido culpa de cada um de nós os três!
            Mas, neste momento David queria Jamie como pai! Isso era algo que não estava ao meu alcance!
            Agora encontrava-me no sofá!
            - Estás melhor? – Perguntou Jamie.
            Abracei-o. Soube-me pela vida. Chorei contra os seus cabelos castanhos. Se ele tivesse razão e a culpa de tudo fosse da pessoa em que eu mais confiei durante toda a minha vida, eu estava completamente arruinada!
            Desejei que David e Maddy não existissem… Seria muito mais fácil viver toda essa dor se eles não estivessem comigo.
            Respirei fundo e afastei-me de Jamie.
            - Sim, estou melhor! – Pronunciei, limpando as lágrimas.
            - O que se passou para ficares nesse estado!? – Perguntou.
            - Jamie, preciso aqui e agora de toda a verdade!
            Ele arregalou os olhos, escandalizado com o meu pedido.
            - Sarah, … eu… eu não posso!
            - Porquê? Por favor, Jamie, eu quero-a toda!
            - É melhor ser a tua mãe a dizê-la!
            - Diz-me agora! – Supliquei.
            A nossa volta, apesar de se encontrarem muitas pessoas, era como se ninguém lá estivesse.
            - Durante a noite, do dia anterior à decisão de tribunal, a tua mãe disse-me para me afastar de ti! Que era o melhor para os dois, pois não irias para Wilmington. Perguntei-lhe como sabia e ela disse que isso não era da minha conta. Ameaçou-me e ordenou que não te contasse nada, caso contrário nem contacto contigo manteria!
            Não conseguia, nem queria acreditar no que ouvia…

sábado, 13 de julho de 2013

Capitulo 18 - Never Stop Dreaming*



Fui à mala e peguei no telemóvel. Liguei-lhe, mas ela não atendia.
            - Então? – Jamie estava impaciente.
            - Não atende!
            - Tenta mais logo.
            - Vou buscar o David. Levo-o ao quartel e depois podes trazer-mo a casa? A Maddy está muito fraca.
            - As melhoras. – Disse, virando costas e correndo pela rua.
            “Contínuas iguais” – Pensei.
            Eu fui para o outro lado. Em casa tomei banho e mudei de roupa.
            - Mãe, como se molhou toda?
            - Não levei chapéu…
            - Estive com o Jamie?
            - David, também vais insinuar que tenho um amante? – Perguntei, brincando.
            - O pai merecia, mas não…
            - Não sejas mau.
            - Ainda lhe vou provar que tenho razão!
            Abanei a cabeça. Fui buscar Maddy, agasalhei-a bem e levei David ao quartel.
            Jamie estava imponente, com o seu uniforme à entrada.
            - Toma bem conta dele, senão acabo contigo. – Alertei-o.
            - Tomarei.
            - Até já, capitão! – Disse dando-lhe um beijo na testa.
            - Até logo, mamã.
            Já no carro, voltei a ligar à minha.
            #Chamado-On#
            - Porque não me atendeu, há pouco?
            - Não estava cá dentro!
            - Poupe-me!
            - O que se passa?
            - Preciso que me diga a verdade…
            Ouvi o que parecia um gemido.
            - Mãe? Ainda está aí?
            - Sim… Que verdade queres?
            - Toda! Por que razão obrigou o Jamie a abandonar-me.
            - O que dizes?
            - Ai, não sabe?
            - Não é assunto para se falar por telemóvel… Podes vir cá?
            - Acha? Não vou abandonar a Maddy.
            - Ela tem melhorado?
            - Nem por isso! Venha para cá e falamos.
            #Chamada-Off#
            Sim, eu acabara de desligar o telemóvel na cara da minha mãe mas se ela me fizera aquilo que Jamie insinuava, isto não se comparava.
            Olhei para Maddy no banco de trás. Estava tão fraquinha.
            - Mamã?
            - Sim?
            - O que fez a avó?
            - Algo que nunca te farei.
            Ela sorriu e voltou a adormecer.
            Fui para casa. Eu não podia ser uma mulher normal e ir trabalhar ou às compras, tinha de ficar em casa com a minha filha, principalmente no Inverno. Ela estava muito fraca e se apanhasse frio a mais, ficaria doente…
            - Queres chocolate quente? 
            Estávamos as duas sozinhas em casa.
            - Sim. – Respondeu-me.
            Enchi mais uma chávena e levei-lhe.
            Começamos a ver uma série que ambas adorávamos.
            - Mamã?
            - Sim?
            - O que fazem as pessoas normais? – Esta pergunta deixou-me perturbada.
            - Como assim?
            - Por exemplo, as pessoas que não são doentes como eu e que não são mães de pessoas como eu, o que fazem?
            - Bem, o mesmo que nós…
            - Isso não é verdade!
            - Porque é que não é?
            - Porque isso não tem lógica… Elas podem fazer tudo e porque não fazem?
            - Hum… Elas são parvas…
            - Pois, se calhar é isso. – Disse com um sorriso.
            Pousou a chávena e aconchegou-se no meu colo, abraçando-me. Ela era mesmo fofinha.
            Dois dias depois, a minha mãe chegou.
            Não conseguia olhar para ela.
            - Como me fez isto, mãe?
            - Sarah…
            - Sabe o quanto me doeu? Eu sempre pensei que fora a crueldade do juíz!
            - Filha…
            - Não me chame isso!
            - Por favor, ouve-me!
            - Sou toda ouvidos!
            - Eu tinha medo!
            - Medo de quê?
            - De te perder! Eras tão ligada ao teu pai…
            - Medo de me perder? Não confia em mim?
            - Confio!
            - Não parece!
            - Sarah, tinhas o teu pai, o Jamie, a Claire… Aqui só me tinhas a mim e a Christin… e o Jason…
            - Mary…
            - Nem mãe me vais chamar?
            - Desculpe, mas custa… Custa chamar de mãe a uma pessoa que me fez sofrer tanto!
            - Desculpa, Sarah!
            Os olhos dela estavam brilhantes das lágrimas, mas isso não me parecia nada comparado com o que ela me fizera.
            Levantei-me e dirigi-me à porta.
            - Saia, por favor!

sábado, 6 de julho de 2013

Capitulo 17 - Never Stop Dreaming*



             - Quem é? Não volto a perguntar!
            - Oh! Vá lá, Sarah abre isto!
            - Jamie?
            - Quem haveria de ser?
            - É tarde! Vai-te embora!
            - Não vou, enquanto não falares comigo!
            - Não temos nada para falar!
            - Desculpa, Sarah! Nunca foi minha intenção magoar-te!
            - Mas magoaste! Senti-me abandonada mais uma vez!
            - Desculpa!
            - É um pouco tarde para isso!
            - Diz que não me amas na minha cara e eu acredito!
            Engoli em seco.
            - Jamie, vai-te embora. – Supliquei.
            - Sarah… Eu não queria que isto tivesse sido assim…
            - Então quem quis?
            Senti que ele não me ia responder.
            - Esquece, Jamie.
            - Sarah…
            - Vai embora. Falamos amanhã.
            - Ok. No Starbucks às 10h!
            - Está bem! Desaparece!
            Senti-o longe. Abri a porta e apenas o vento lá estava. Estávamos no Inverno e o ambiente estava gelado. Senti necessidade de calor e lembrei-me de quando Jamie me contou o que sentia… Do calor que senti nesse momento…. Da necessidade de mais que me invadiu… E de não o sentir com Michael…
            Porque é que eu estava com Michael? Ah! Porque ele me salvou a vida de Kayla e não me abandonou como Jamie fizera!
            Mas ama-lo? A quem? Ao Michael? Claro que s…. Não eu não o amo… Senti apenas uma divida de gratidão para com ele e é por isso que estou com ele.
            As lágrimas caíram-me face abaixo!
Porque foste tão fútil? Que vai ser dos teus filhos? Nunca hás-de ser uma mãe como a tua!
            Continuei a culpabilizar-me noite dentro, até de manhã, quando David se levantou.
            - Mamã?
            - Sim, querido? – Disse limpando as lágrimas, com as costas da mão.
            - Dormiu? – Perguntou, arqueando a sobrancelha.
            A verdade é que não dormira nada!
            - O suficiente.
            - Minta! Minta! Minta! E depois sou eu!
            Suspirei.
            - David, vou ter que sair, depois levo-te ao quartel. Mas agora preciso que fiques com a Maddy… É só um bocadinho!
            - Está bem!
            - Obrigada.
            Disse, dando-lhe um beijo na testa e apreçando-me para me ir vestir.
            Por volta das 10h eu já estava em frente ao Starbucks… Não sabia bem se entrar, mas era mais forte do que eu e acabei por entrar…
            - Sarah! – Jamie, sorria como se eu fosse o melhor sonho dele.
            - Despacha-te! Os meus filhos estão sozinhos!
            - És divorciada?
            - Queres saber de mais, não?
            - Desculpa! Os meus sentimentos!
            - O Michael não morreu!
            - Então?
            - Está fora, em trabalho!
            - Ah! – Ele pareceu desiludido! Ele ainda pretendia algo comigo? Ao fim de todos estes anos?
- Sê rápido!
- Amo-te! Mais rápido é impossível!
- Vai… - Respirei fundo! – Se me amasses não me tinhas abandonado!
Ele pareceu refletir durante uns segundos.
- Onde está a tua mãe?
- Comprou uma casa no Alasca! Por mais frio que lá faça, era o sonho dela…
- Hum, hum… E qual é o teu?
O meu sonho? A sério que ele estava a perguntar-me aquilo? Onde queria ele chegar? Ai, que eu não estou a gostar disto!
- Perdi todos os meus sonhos no dia em que disseste que eramos incompatíveis… Satisfeito?
- Desculpa!
- São águas passadas! Agora, mais alguma pergunta?
Os seus olhos brilhavam cada vez mais. Bastava eu falar para que ele me ouvisse com a maior das atenções e preocupações… Sorria, parecia sentir-se verdadeiramente culpado, mas estaria mesmo? Não seria apenas farsa?
- Jamie, porquê?
- Não posso dizer-te…
- Porque…
- A tua mãe…
            - A minha mãe? A minha mãe o quê?
            - Sarah, ela é que devia contar-te! Contar-te o que me obrigou a fazer! Contar-te tudo! Tudo o que mereces saber!
            - Não digas isso!
            - É a verdade, Sarah!
            - Cala-te! A minha mãe nuca faria tal coisa! Ela sempre me contou tudo!
            - És ingénua!
            - Ainda me chamas nomes? A mim? Quem é que aqui pode julgar o outro?
            Levantei-me a saí a correr.
            Lá fora chovia. Desatei a correr para o outro lado da rua. Jamie veio atrás de mim.
            - Não te vou deixar sozinha!
            - Deixa-me! Dizes que a culpa é da minha mãe? – Eu estava aos gritos, mas era algo que pouco me importava!
            - Sim! Foi ela que me obrigou a abandonar-te, porque era mais uma coisa que te prendia a Wilmington!
            - Isso não tem lógica!
            - O juiz decretou que ficarias aqui, mas ela sabia que tu querias ir para Wilmington. A tua mãe estava demasiado ligada a ti! De certa forma ela só fez tudo isto para não te perder!
            - Ela nunca me iria perder!
            - Ela estava apenas a assegurar que ficarias debaixo do olho dela, para não cometeres erros!
            - Jamie, isso é tudo um absurdo!
            - Liga à tua mãe e pergunta-lhe!

sábado, 29 de junho de 2013

Capitulo 16 - Never Stop Dreaming*


Faltavam dois dias para o Natal e era hoje que Maddy ia fazer quimioterapia. Esperava que o resultado fosse bom…
David mudara muito nestes últimos dias. Como estava de férias oferecia-se para tomar conta de Maddy, enquanto eu e Michael trabalhávamos. Aparecia com ela no escritório para me fazerem uma visita e o mesmo acontecia com Michael, quando ele estava cá. Michael não era o típico pai presente, até longe disso. Passava a maior parte dos dias fora…
Estávamos agora no consultório. Michael não pudera vir. Teve de se ausentar do país em negócios e ainda não voltara.
David agarrara a minha mãe.
- Vai ficar tudo bem! – Dissera.
           - Eu sei, querido, mas mesmo assim…
            - Acredita! – Sorriu.
       Retribui-lhe o melhor sorriso que consegui e quando Maddy saiu da quimioterapia, fomos ver a chegado dos soldados. David adorava tudo aquilo.
          - Olha, mãe! – Chamou-me, apontando para o sítio de onde saiam centenas de homens. Sorri. Era tão bom vê-lo assim.
         Olhei para lá, com mais atenção. Um dos homens que vinha à frente parecia-se com Jamie: alto, musculado, moreno e sorridente. Mas, havia tantos assim… No entanto, ninguém me conseguia tirar a ideia de que era ele. Claire dissera que ele ia passar o Natal à Carolina, mas, então, não era um pouco tarde para ele estar a chegar?
          Era ele! Disso eu tinha a certeza. Comecei a chegar-me mais à frente, agarrando David pela mão e Maddy aconchegada no meu colo.
            - O que se passa, mamã? – David parecia preocupado.
            - Acho que está ali um amigo da mãe…
            - Tens um amigo no exército? – Ele parecia desorientado.
            - Também eu não sabia.
            Depois de muitos empurrões e protestos, encontrávamo-nos na linha da frente. O desfile estava a iniciar.
            Sim, era Jamie.
            - Qual deles é? – Perguntou David.
            - Hum, o do lado direito.
            - É um giraço! – Disse, piscando o olho e dando-me uma cotovelada. – Foi mais do que um amigo, não foi?
            Engoli em seco e fiquei escandalizada! Na idade dele eu era quase uma analfabeta e agora eles já sabiam tudo! Credo! Onde este mundo vai parar!
            - Ai, mamã! Foste apanhada.
            Jamie estava agora mesmo à minha frente! Sentia o suor a escorrer, um calor insuportável apoderara-se de mim.
            Ele olhou para o lado! Para o local onde nos encontrávamos! Os nossos olhares ficaram presos. Queria desviar o olhar, fechar os olhos, baixar a cabeça mas não conseguia. Já não era eu quem controlava o meu corpo! Era algo que eu desconhecia! Algo muito forte, que eu não conseguia controlar.
            - Sarah? – Questionou. Ouvir a sua voz melodiosa, derreteu-me.
- Jamie!
- Estás…
- Mais velha, mãe… - Contei pelos dedos.
- Mãe? – Interrompeu-me.
- Olá! – Disse David! – É um prazer conhecê-lo!
- Então, como te chamas!?
- David!
- Então, David, o que te trás por cá?
- Bem, eu adoro isto! É tão cool!
- Então, soldado, e o que é que mais te cativa!?
- Tudo!
- Passa por cá amanhã, faço-te uma “visita” a todos os “cantos”.
- Que fixe!
- Já não se pede autorização? – Perguntei.
- Desculpa mamã, mas eu sei tenho mesmo de vir!
- Está bem! Tens é de trazer a Maddy.
- Mas ela está tão cansadita…
- Tens razão. Amanhã fico com ela em casa. – Disse, olhando a anjinho que dormia no meu colo.
- Está tudo bem com ela, Sarah? – Retraí-me.
- Sim! – Menti.
- Mãe, ele é um fixolas. Porque não lhe contas?
- Sarah, sabes que podes confiar em mim!
- Está-tudo-bem! – Disse, fulminando David com o olhar - E amanhã não vens. Vamos embora.
Peguei na mão dele e arrastei-nos dali para fora.
- Sarah! – Jamie chamou-me. Lutei por não olhar para trás e tirar-nos dali.
Já em casa, David estava tão amuado por não o deixar ir amanhã que se meteu no quarto e não saiu de lá.
Preparei o jantar; deitei Maddy e, só quando achei que ele já estaria a dormir, fui buscar a chave que tinha guardada e abri a porta do quarto dele. Por estranho que pareça ele ainda não dormia. Estava deitado na cama com os phones nos ouvidos a jogar.
Toquei-lhe levemente no ombro. Ele sobressaltou-se e tirou um dos phones do ouvido.
- Mãe?
- Eu sei que sou feia, mas assusto assim tanto?
- Naaa! Só um bocadinho! – Brincou.
- Querido, eu queria deixar-te ir, mas não quero que fiques realmente a gostar daquilo e faças como o Jamie…
- O que é que ele fez?
- Não quero falar disso, querido…
- Mamã, eu nunca te vou fazer o que ele fez… - Disse, abraçando-me. – Nem o que o papá faz.
Por aquela não esperava e quando nos soltamos do abraço eu ainda tinha cara de parva.
- Sim, mamã, eu sei que o pai é o pior marido do mundo… E, desculpa, mas é o que eu acho, ele deve ter uma amante!
Fiquei escandalizada ao ouvir as palavras do meu filho.
- Porque dizes isso?
- Oh, mãe, até parece que não vês televisão! Quando os maridos passam muito tempo fora de casa, quer dizer que tem uma amante ou outra família!
- Credo!
- Não é para menos, mãe!
 - Vá! Vai dormir que já é tarde!
Puxou os cobertores para trás e deitou-se.
- Boa noite, mamã.
- Boa noite.
Apaguei-lhe a luz, fechei-lhe a porta e deitei-me no sofá! Escandalizada com o que ouvira.
Pouco depois alguém bateu à porta.
“Deve ser o Michael”
Fui até à porta e perguntei:
            - Quem é?
            - Se não abrires não sabes!


Quem acham que é? É o Michael?

sábado, 22 de junho de 2013

Capitulo 15 - Never Stop Dreaming*


(25 anos depois)
- Amor? – Chamei pouco depois de acabar de me vestir.
- Estou com a Madaleine no sofá.
Fui até lá. Michael e Madaleine estavam abraçados. Eram tão fofos…
- Onde estás o David? – Questionei-os.
O meu filho de 8 anos não parava um segundo em casa.
- Foi à rua.
- Vou lá!
- Sarah, querida, não vás… Ele ai voltar…
- Como tens tanta certeza?
Madaleine riu-se.
- O papá disse-lhe que se demorasse mais de meia hora lhe tirava o tablet e o pc! Ele ficou tão mal disposto!
Madaleine tinha 4 anos. Era uma rapariga pouco saudável, mas muito simpática e alegre! Passava a maior parte do tempo comigo e com Michael.
Sorri.
- Assim acredito.
Pouco depois David voltou. Portava na mão o telemóvel; as calças arrastavam-se-lhe pelo chão; a t-shirt preta estava toda molhada.
- Que estiveste a fazer, David? – Perguntei-lhe.
- Com uns amigos, mãe! – Disse encaminhando-se para o quarto
- David! – Chamei.
- Querida, tem calma.
- Bem, tenho de ir trabalhar. Até logo. – Disse a Michael.
Saí de casa. Já ia um pouco atrasada! Entrei no escritório e fiquei pasmada a olhar para a modelo que lá estava.
- Doutora! Esta é a nova cara!
Ela voltou-se e… Bingo! Tinha acertado! Continuava com o mesmo corpo, os mesmos feitios, as mesmas manias!
Kayla estava à minha frente!
- Sarah? – Ela também não contava comigo.
Virei-lhe costas e dirigindo-me a Glória, disse-lhe:
- Não quero esta mulher! Arranje outra! Quero lá saber que traga prestígio ou outra coisa qualquer! Não vou trabalhar com ela, nem que tenha de despedir todo o pessoal!
Glória ficou a olhar para mim, como se lhe estivesse a apontar uma faca.
- Mas, Sarah, disse-me que queria um modelo em decadência, para a ajudar!
- Esta mulher, nunca hei-de ajudar! Ela merece estar na lama!
- Sarah, peço-te desculpa por tudo o que fiz, mas eu preciso mesmo deste emprego! – Interrompeu.
- Não dizias mal de mim? Não dizias mal do meu pai? Não te achavas superior? Pois bem, o feitiço virou-se contra o feiticeiro!
- Desculpa!
- É um bocado tarde para isso, não achas?
Fui para o meu escritório! Não voltaria com a minha palavra atrás!
Deixara toda a vida que tive aos 17 anos para vencer na vida! Tinha um marido maravilhoso, uma filha doente, mas que fazia sorrir todos os dias, e um filho saudável mas que só me dava trabalho, mas mesmo assim era feliz! Voltar a ter a vida que tinha aos 17 anos, ser a menina bonita que não se sabia defender estava fora de questão!
A única coisa que ainda me prendia a essa altura, era as amizades que apesar de perdidas, continuavam fortes como sempre... E, claro, Jamie…
Mas dele é que não sabia nada…
Christin e Jason casaram-se e viviam na Califórnia. Tinham quatro filhos, três rapazes e uma rapariga. Eram felizes.
Claire era professora numa academia de música em San Francisco e não era nem casada, nem namorava. Apesar de sozinha vivia feliz…
Suspirei antes de me lembrar de Jamie. Por cima de um quadro de uma praia, no meu escritório havia uma foto nossa, do dia em que ele me salvara da violação. Arrepiei-me, sentindo as mãos daqueles homens, mas sorri quando me lembrei do momento em que me vi livre disso. Era Jamie quem lá estava. Para além de Jason que o ajudara e do resto das pessoas que apareceram depois.
- Porque não o esqueces? – Perguntou alguém, entrando.
Abri os olhos e levantei a cabeça. Lá estava Claire de olhos castanhos e cabelos soltos.
- Eu já não o amo. – Disse, levantando-me para a abraçar.
- Sim, até podia fingir que acreditava.
- É difícil de explicar…
- Porque casaste com o Michael?
- Ele é um querido. Faz-me rir… Não me traz problemas.
- Mas não o amas, linda…
- Amo, sim!
- Tal como amas o Jamie?
Suspirei.
- Eu entendo.
- Que tens feito? – Perguntei mudando de conversa.
- Andado por aí. Estamos nas férias de Natal e vou agora para a Carolina, mas antes passei por aqui.
- Quando vais embora?
- Amanhã ao meio dia.
- Já tens onde ficar?
- Trato disso daqui a pouco.
- Fica lá em casa!
- Não quero dar trabalho!
- Mais trabalho que o David? – Questionei, erguendo a sobrancelha.
- Sei lá!
- É impossível…
Rimo-nos.
- Olha, vou dar uma volta. Quero ver se arranjo umas prendinhas!
- Está bom.
- Au revoir!
- Au revoir!
Com Claire era impossível não me sentir bem. Ela era como uma irmã.
Acabei todo o trabalho e passei pelo consultório do médico da Madaleine para saber o resultado dos últimos exames dela.
- Sarah, a sua filha tem um problema nos pulmões que lhe dificulta a respiração e pode fazer com que sinta pontadas no coração.
- Como? – O meu cérebro não queria acreditar. As lágrimas saíram-me pelos olhos e escorreram a fio pela cara abaixo.
- Lamento.
Levantei-me e respirei.
- É possível corá-la?
- Teremos de fazer de tudo.
- Faça-a o mais depressa possível! Não aguento isto.
Quando cheguei a casa, abracei-a sem explicar nada a ninguém, mas todos perceberam.
Claire chegou e o ambiente estava envolto numa nuvem de desespero e morte. O silêncio apoderou-se de todos e até David chorava.
Tinha os meus filhos, um de cada lado, e por mais que tentasse manter a calma não conseguia.
Faltavam apenas duas semanas para o Natal e não o podíamos passar neste ambiente.